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Cinema Madeirense

1895 - A 28 de Dezembro, no Grand Café, em Paris a partir do aperfeiçoamento do cinetoscópio os irmãos Lumière, Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) espantam três dezenas de espectadores com o seu cinematógrafoque em grego simboliza escrita em movimento.
O Cinematógrafo é movido a manivela e utiliza negativos perfurados, substituindo a acção de várias máquinas fotográficas para registar o movimento. Este aparelho torna possível, a projecção de imagens para um público.

1897 - João Anacleto Rodrigues (1869-1948), empresário da nossa praça, que comprara um aparelho reprodutor de imagens em movimento ao inventor Joly-Normandin, faz as primeiras exibições do seu cinematographo, a 15 de Maio de 1897, no Teatro D. Maria Pia.
A primeira sessão de cinema no arquipélago contou com um programa de doze curtas-metragens adquiridas quando da compra do equipamento.
Entre Maio e Julho, ocorreram cerca de vinte sessões do cinematographo, contando já com uma nova encomenda de filmes que mais tarde serviram para uma digressão às Canárias e aos Açores, entre Julho e Novembro de 1897.

1900 - A 29 de Novembro Alfredo Guilherme Rodrigues (1862-1942), irmão de João Anacleto Rodrigues (1869-1948), testou o seu animatógrafo Edison, auto-estereoscópio e piano eléctrico, no Pavilhão Grande, situado na Praça da Rainha.

1901 - A 10 de Fevereiro são projectadas por Alfredo Guilherme Rodrigues (1862-1942), imagens da Madeira, da autoria do fotógrafo amador Joaquim Augusto de Sousa (1853-1905).
Estas imagens não faziam parte de um filme sobre a Madeira, eram apenas uma montagem de películas fotográficas realizadas pelo conceituado fotógrafo amador Joaquim Augusto de Sousa (1853-1905) durante os seus passeios pela Ilha.

1902 - 1905 - Exibições irregulares de cinema de companhias continentais e estrangeiras que actuavam na Madeira.

1905 – A 6 de Abril foi exibido “A viagem à Lua” do realizador Georges Méliès (1861-1938), inspirada na obra homónima de Júlio Verne (1828-1905). Promovida pelos empresários italianos Mr. e Mme. Calvinis.

1907 – A 27 de Junho é projectada a curta-metragem “A vida de Cristo” no Teatro D. Maria Pia, que muitos apontaram, erradamente, como o primeiro filme a ser projectado na Madeira.
Foi o primeiro filme que teve um êxito retumbante no arquipélago, sempre com grandes afluências de público. Esteve em exibição desde de Junho a Novembro de 1907, embora não todos os dias. Em anos posteriores, esta película foi diversas vezes exibida e era tal o seu êxito, que as salas de cinema estavam sempre cheias. 

– A 1 de Dezembro de 1907 é inaugurado o Teatro Águia D’Ouro, a primeira sala de cinema comercial fora das instalações do Teatro D. Maria Pia, ficando localizado na Praça da Rainha. Era seu proprietário Manuel Fernandes Camacho.

– A 12 de Dezembro são exibidas na sala de cinema Águia D’Ouro pelas 18.00 horas, seis curtas-metragens documentais e uma ficção de nome “Drama de Veneza".

1908 - a 12 de Janeiro de 1908 estreia-se no Teatro Águia D’Ouro uma película de um passeio pela Ilha da Madeira de nome “Excursão à Madeira”, filmado em 35 mm. Esta película, primeiramente, foi estreada na cidade de Lisboa a 27 de Julho de 1907 e posteriormente no Porto a 7 de Agosto desse mesmo ano, sendo atribuída a Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931) e a Eduardo C. Pascaud.

– A 15 de Março de 1908, quatro meses após a sua inauguração, a sala de cinema Águia D’Ouro arde num violento incêndio. Este incêndio foi provocado por uma das películas que inflamou o arco voltaico do projector. Não se registou mortos ou feridos graves uma vez que estavam poucas pessoas, na altura, a assistir ao filme e conseguiram sair facilmente.

– “O empresário madeirense João Frederico Rego iria trazer para a Madeira uma nova máquina, o cinematophone, (...).Esta maquineta era uma mistura do cinematógrafo com o gramofone, sendo particularmente utilizada em Inglaterra e na Alemanha para a visão e escuta de óperas filmadas.”

- A 18 de Junho entre as 19.30 e 20.30 horas, no átrio do Teatro D. Maria Pia, é apresentado pelo empresário madeirense João Frederico Rego duas óperas “Miserere do Trovador” e “Avé Maria de Gounoud”; duas ficções “O anarchista” e a “Casa spirista” e dois documentários que ficaram célebres pelo impacto emocional que causaram no público madeirense o “Retrato d’El-Rei” e o “Funeral d’El-Rei D. Carlos I e Príncipe Real D. Luís Filippe”.

1909 – neste ano é exibida a película “A Taberna”, baseado no romance de Emile Zola (1840-1902). Este filme obteve muito sucesso entre os madeirenses.

– A 23 de Outubro dá-se a abertura do Pavilhão Paris, situado na Rua João Tavira, sendo explorado pela empresa Sousa & Barreto, que mais tarde se ligaria à “Empreza Portugueza Cinematographica”, de Lisboa. Encerrou a sua actividade em [1922]

1910 – Nesta data prolifera a abertura de novas salas de cinema:

- a 27 de Março é inaugurado o Salão Ideal, localizado na Rua 31 de Janeiro, sendo explorado pela Empreza Portugueza Cinematographica, de Lisboa. Encerra a 10 de Agosto de 1914.

- a 10 de Abril abre ao público o Salão Central, situado na Rua da Queimada de Baixo, sendo explorado pela empresa Leão & Soares, de Lisboa, cujo representante na Madeira era Cândido Casemiro Cunha. Encerra em Outubro de 1911.
Utilizava um “kinematographo Daumont”.
O Salão Central ficava localizado no andar superior onde esteve a casa comercial “Africa House”, na Rua do Aljube.

- a 12 de Maio é a vez do Salão – Teatro Variedades, situado na Rua de São Francisco. Encerra em [1911].

- em Julho estava em funcionamento um cinematografo na freguesia do Seixal, máquina que pertencia a “uns rapazes do Porto do Moniz”

1911 - Nesta data é realizado a película intitulada “Madeira”, realizada por estrangeiros e distribuída pela firma francesa Eclipse e pelo britânico George Klein. Esta película nunca foi exibida no Funchal. »A obra, filmada em 35 mm, mostrava “vistas do Funchal. Transporte de bagagem até à praia. Flagrantes do mercado e das ruas. Flores nas varandas. Trabalhadores fazendo cadeiras [de vimes] ”. Tudo em apenas 90 segundos de duração«.

- O Teatro Circo é inaugurado a 3 de Setembro de 1911 e exibiu o seu último filme a 1 de Novembro de 1937.

- Reabre o Pavilhão Paris a 3 de Setembro de 1911 que tinha fechado em Maio deste mesmo ano

1912 – Começam, em Janeiro de 1912, as negociações para se fazer a junção das sociedades que exploravam o Pavilhão Paris e o Teatro Circo

- A 12 de Dezembro de 1912 dá-se a junção das empresas que exploravam o Pavilhão Paris e o Teatro Circo, ficando como gerente destas duas casa Henrique Paiva, na altura operador do Salão Ideal e representante da Empresa Cinematográfica Portuguesa.

1913 – A 25 de Maio é rodada a película “O Cerco de Safi”, de 10 minutos, que simulava uma batalha entre cristãos e mouros. Consta que foi o primeiro filme de ficção realizado na Madeira, por João dos Reis Gomes (1869-1950), sendo o seu operador André Valldaura, que integrava os quadros da Companhia Cinematográfica de Portugal.
Este filme nunca foi comercializado.

- A 28 de Junho, estreia a peça D. Guiomar Teixeira, no palco do Teatro Funchalense (actual Bartolomeu Dias), ex – Teatro D. Maria Pia, e nesta peça é utilizada a película “O Cerco de Safi”, no segundo quadro do quarto acto da dita peça. Foi um sucesso popular, apesar de muitos críticos não apreciarem a junção entre o teatro e o cinema, pois acusavam estes de perverter a linguagem teatral e provocar a sua decadência.

- Estreia a 9 de Novembro, a película “Funchal Pitoresco”, no Salão Ideal e manteve-se em cartaz durante alguns dias. Esta película foi realizada por André Valldaura.

 1914 – Passa a 14 de Junho, a película “Funchal Pitoresco”, no Pavilhão Paris que se mantém em cartaz durante algumas semanas.

- A 25 de Junho estreia o “cinema falante” no Teatro Circo, em que Silva Carvalho, imitava sons dos vários quadros, do filme “O Contra Mestre incendiário”, que os espectadores observavam. Este tipo de cinema teve grande sucesso no Funchal, tendo 5 sessões, sendo a ultima a 29 desse mesmo mês.

- A 8 de Outubro de 1914 a Empresa que geria o Pavilhão Paris assina um contrato de fornecimento de filmes com a Companhia Internacional de Cinematografia.

- A 28 de Outubro o Teatro Circo é arrendado pela Companhia Cinematográfica de Portugal, que era representada no Funchal por João Lomelino Ferreira de Sousa e Maximiano de Sousa Rodrigues.

1915 – A 4 de Fevereiro de 1915 o Teatro Circo estreia uma película denominada “Excursão à Madeira”, filme, segundo o Diário de Noticias da época, “de costumes e lugares, artistica e colorida, onde se vêem muitas e importantes pessoas do nosso meio.“

 - A 17 de Fevereiro de 1915 a empresa Sousa, que geria o Pavilhão Paris assina um contrato de exclusividade com a Empresa Internacional de Cinematografia, que era “a mais importante que existe na Peninsula, sendo a única que hoje possue em Portugal e Espanha o exclusivo das principais casas criadoras de filmes”, sendo que a 17 de Maio deste ano a mesma empresa toma conta da gestão do Pavilhão Paris.

1916 – A Câmara Municipal do Funchal, na sua sessão de 12 de Outubro de 1916, resolveu reconhecer personalidade jurídica à empresa do Teatro Circo, passando assim a realizar contratos com a mesma.

1917 – A 8 de Abril é inaugurado o pano de anúncios que estava colocado na boca de cena do Teatro Circo. Esse pano foi feito por José Joaquim de Mendonça e Fernando Câmara e era pertença de uma sociedade para exploração e colocação de anúncios, cujos sócios eram José Joaquim de Mendonça e João Rodrigues.

- A 30 de Julho de 1917 todos os filmes que passavam em cena nas salas de cinema de Portugal passaram a estar legendados em português.

1918 – Estreou a 20 de Março, no cinema Olímpia, em Lisboa, a película intitulada “Funchal”, realizada na Madeira, filme em 35 mm.

- O Pavilhão Paris reabre a 23 de Junho, como sala cinematográfica, depois de três anos dedicados a espectáculos de “vaudeville”, devido à dificuldades em obter filmes por contingência da Guerra Mundial que grassava o mundo nesta altura. Obtinha os filmes do cinema Olímpia de Lisboa

1920 – O Pavilhão Paris é adquirido pelo empresário César Nascimento.

1921 – Criação a 12 de Março da Empresa do Teatro Circo Limitada, por Leonardo Bettencourt Sardinha, João Lomelino Ferreira de Sousa, Maximiano de Sousa Rodrigues, António de Sousa e Constantino do Espirito Santo Ferreira, que serviria para explorar o Teatro Circo.

- Mário Huguin, operador da Portugalia Film, chega à Madeira em Novembro de 1921, para filmar diversos aspectos da indústria madeirense, nomeadamente a de bordados, onde aproveita para filmar a chegada ao exílio na ilha da Madeira dos ex-soberanos austríacos, Carlos de Áustria (1887-1922) e a sua mulher Zita (1892-1989). Filma também as cerimónias da transladação dos corpos dos marinheiros franceses do navio de guerra “Surprise”, que fora afundado no Funchal por um submarino alemão em Dezembro de 1916.

- Na chegada dos ex-imperadores da Áustria-Hungria estava também presente um operador da Casa Pathé News of America, chamado A. Glattly .

1922Manuel Luiz Vieira (1885–1952) mais conhecido pelo “Vieirinha”, foi o nosso mais importante realizador. Fotógrafo de profissão possuía a sua casa comercial denominada “Casa Pathé” (em frente do actual edifício) localizada na Rua da Carreira, actual Rua Dr. Câmara Pestana, tendo em Junho/Julho de 1922 realizado as suas primeiras experiências no campo da cinematografia, tendo o seu primeiro filme experimental sido uma encenação de uma briga no Largo da Igrejinha.

- No dia 10 de Janeiro de 1922, é exibido o filme “Christus” numa sala denominada Salão Dramático de Santa Maria Maior, que ficava situada junto à Igreja do Socorro. E em fins desse mês a película foi exibida em Machico, tendo sido necessário para esse efeito levar um gerador eléctrico a essa então vila.

- Criação da Companhia Cinematográfica Madeirense, Ltd. de Oscar G. Lomelino, cujo objecto de negócio era a venda de Aparelhos cinematográficos para amadores, para cinemas campestres, liceus, estabelecimentos de instrução, sociedades recreativas, etc. e aluguer de filmes. Propunham-se também realizar filmes, quer comerciais, quer de ficção.

- A 30 de Julho de 1922, no Salão-Teatro dos Alamos, começaram a ser exibas fitas cinematográficas todos os Domingos até ao final do mês de Agosto.

- A 20 de Agosto o Pavilhão Paris suspende os seus espectáculos devido a divergências entre empresários.

- Em 1922, Francisco Bento de Gouveia (1873-1956) funda a empresa Madeira Film, Limitada, com sede na Rua do Bom Jesus (actual colégio Bom Jesus), cuja estreia cinematográfica decorreu a 11 de Dezembro no Teatro Circo.
Manuel Luís Vieira colabora com Francisco Bento de Gouveia

1923 – A 5 de Janeiro de 1923 a Madeira Film, Limitada, filma a excursão ao Terreiro da Luta da comitiva de Tenerife que por essa altura visitava a Madeira, mais especificamente quando os excursionistas passavam junto do monumento de João Gonçalves Zarco.

- A 6 e 7 de Janeiro de 1923, o Teatro-Circo estreia para o publico em geral as películas produzidas pela Madeira Film, Limitada, nomeadamente a “Chegada do Presidente da Republica á Madeira”, “O Arraial de Nossa Senhora do Monte, em 15 de Agosto”, “A chegada dos Aviadores á Madeira”, “Vista do Funchal e arredores”, “Uma vindima” e “Dia de mau tempo”.

- Em Fevereiro de 1923 a “Madeira Film” produz um documentário denominado “Dança século XV”, baseada numa exibição feita por Sofia de Figueiredo, Dulce de Menezes Alves, Maria Soares de Oliveira, Carlota Soares de Oliveira, Gabriela Soares de Oliveira, Ida Delgado Faria, Milena Ferraz, Isabel Monteiro, Álvaro Reis Gomes, Carlos Rego Pereira, Fernando Figueiredo, Arnaldo Rebelo, Carlos Gomes, Miguel Soares, Antero Bonifácio Gomes e Moisés Camacho no “Casino Pavão”.

- Em inícios do mês de Fevereiro de 1923 é exibido um filme documental no “Teatro Real” na Laguna, ilha de Tenerife nas Canárias, realizado por José González Rivero, aquando da sua estada na Madeira por ocasião da excursão tenerifenha à Madeira em Janeiro deste mesmo ano. A mesma película passa em Março deste ano no Parque Recreativo de Santa Cruz de Tenerife.

- Em Março de 1923, a Pathé Paris envia um operador à Madeira por sugestão da Sociedade de Propaganda de Portugal, para produzir um filme propagandístico sobre o turismo na Madeira, dentro de um documentário mais vasto acerca de Portugal.
Francisco Bento de Gouveia e Manuel Luís Vieira da “Madeira Film” colaboram neste documentário.

- Em fins de Março de 1923, é apresentado, numa sessão para jornalistas, que decorreu na residência de Francisco Bento de Gouveia, o documentário, em 5 partes, das comemorações do V Centenário da Descoberta da Ilha da Madeira, produzido pela “Madeira Film”.
Filme que é exibido em Tenerife em Maio de 1923, o que leva a alguma indignação dos jornais madeirenses, pelo facto destes filmes, obra de uma companhia madeirense, não passarem na Madeira, o que muitos achavam ser devido à falta de um cinema condigno. Contudo, um pouco mais tarde, o documentário é exibido no Funchal, primeiro no Cinema do Casino Vitória a 2 de Setembro de 1923 e depois no Cine-Jardim a 17 de Outubro de 1923.

- A 12 de Agosto de 1923, inauguração do “Cine-Jardim”, cinema ao ar livre no Jardim Municipal, cujo gerente era João Alexandrino Teixeira.
Este cinema funciona até 25 de Novembro do mesmo ano.

- A 30 de Agosto de 1923, inauguração do cinema ao ar livre, cujo gerente era Gomes de Sousa, nos jardins do Casino Vitória. Neste cinema passaram, entre outras, todas as produções da “Madeira Film”, nomeadamente: “V Centenário da Descoberta da Madeira”, “A chegada dos aviadores à Madeira”, “Uma tosquia de ovelhas na serra de S. Roque”, “Uma excursão ao Ribeiro Frio”, “As festas do Espírito Santo em Ponta do Sol”, “Uma ascensão ao Pico Ruivo”.
A partir de 30 de Dezembro de 1923 o mesmo passa a funcionar dentro do salão de baile do Casino Vitória.

- A 1 de Novembro de 1923, a cerimónia do lançamento da primeira pedra do Monumento a Nossa Senhora da Paz no Terreiro da Luta, foi filmada pela Companhia Cinematográfica Madeirense.

- A 22 de Novembro de 1923 é inaugurado o “Cine Ideal”, que se localizava na Rua de Santa Maria, n.º 8 e que segundo um jornal da época apresentava uma “original iluminação, que apresenta como novidade a circunstancia de, durante as exibições das fitas, deixar a sala com uma luz muito suave, por meio dumas lanternas artísticas, que em nada prejudicam a projecção”.
A gerência estava entregue a Gomes de Sousa, representante na Madeira do Cinema Condes de Lisboa.
Encerra a 5 de Maio de 1924.

1924 – A 24 de Fevereiro de 1924, Manuel Luís Vieira (1885-1952), através da sua “Casa Pathé”, organiza uma “excursão à neve”, onde aproveita para filmar a mesma e os jogos que aí se realizam.

- A 4 de Abril de 1924, Gomes de Sousa, deixa a gerência do “Cine Ideal”.

- Em Abril de 1924, os filmes da “Madeira Film”, cujo grande objectivo seria criar um grande filme publicitário sobre a Madeira, são exibidos para a comunidade portuguesa radicada nos E.U.A.

- A 15 de Maio de 1924, Manuel Luís Vieira (1885-1952), como operador da “Madeira Films”, filma o começo da partida entre o Club Sport Marítimo e o Sporting Club de Portugal, numa partida de futebol integrada numa visita do citado Sporting à Madeira em Maio de 1924.

- A 29 de Maio de 1924 é reaberto o "Cine-Jardim", agora sobre gerência de Humberto Muller.
Encerra a 12 de Novembro de 1924.

- A “Madeira Film”, a 2 de Junho de 1924, produz um documentário sobre o 74ª aniversário da Banda Filarmónica “Artistas Funchalenses”, que decorreu nos jardins da Quinta Santana.

- A 1 de Agosto de 1924, o “Cine-Jardim” passa no seu ecrã duas películas da “Madeira Film”: “Procissão do Enterro do Senhor” e “Procissão da Ressurreição”, documentários sobre duas procissões da Páscoa madeirense.

- A 19 de Setembro de 1924, a “Madeira Film” faz exibir, no “Teatro-Circo” praticamente todas as suas produções cinematográficas, nomeadamente: “Ilha do Porto Santo – Paisagens e costumes”; “Excursão ao Ribeiro Frio”; “Excursão ao Pico Ruivo”; “Excursão a S. Vicente”; “Excursão ao Rabaçal”; “Paisagens de Inverno – excursão à neve”; “Festas do Espírito Santo na Ponta do Sol”; “Um actor de três anos e como se transporta o fogo de artificio para os arraiais”; “Baile de Ninfas – ensaiado pela Ex.mª Sr.ª D. Eugénia Rego Pereira e filmado na “Quinta Vigia”; “Homenagem ao Ex.mo Sr. Luiz de Carvalho, no Monte Palace Hotel”; “Aniversario da Banda dos Artistas”; “Inauguração da casa de saúde do Trapiche”; “Desportos náuticos – water-polo, natação e mergulhos”; “Desafio de “foot ball” entre o Sporting e o Marítimo”; “Nossa Senhora do Monte – Paisagens e arraial”.
Estas películas, segundo um periódico da altura, já haviam sido todas exibidas no estrangeiro, nomeadamente no Brasil e nos Estados Unidos da América.
As mesmas fitas passaram mais duas vezes no “Teatro-Circo”, a 3 e a 17 de Outubro de 1924, sendo que na terceira exibição incluíram mais um documentário, intitulado “52º aniversário da Banda Artístico Madeirense”.

- A 6 de Outubro de 1924, a “Madeira Film”, através do seu operador Manuel Luís Vieira (1885-1952), produziu um documentário do 52º aniversário da Banda Artístico Madeirense.

- A 21 de Outubro de 1924, numa festa de caridade a favor da Casa de Saúde de São João de Deus (Trapiche), que decorreu no “Cine-Jardim”, foi passado o filme da “Madeira Film”, “Inauguração da casa de saúde do Trapiche”.

- A 27 de Novembro de 1924, a “Madeira Film” passa no “Teatro-Circo”, depois de a 22 de Novembro ter apresentado aos jornalistas, um documentário sobre os Açores, documentário esse que estava dividido em 8 partes.
Depois desta estreia o filme foi enviado para os Estados Unidos.

- Em Novembro Manuel Luís Vieira (1885–1952) funda a ECAEmpresa Cinegráfica Atlântida  - com  sede na Rua da Carreira, actual Rua Dr. Câmara Pestana, no Funchal, onde estava localizado o seu laboratório e estúdio de filmagens.
“A figura de Manuel Luís Vieira (1885–1952) é bem mais conhecida como o melhor operador de câmara do cinema em Portugal durante toda a década de 30 e parte da de 40, tendo trabalhado nos mais importantes filmes dessas décadas ao lado dos melhores realizadores e ainda com outros directores de fotografia estrangeiros de renome que passaram pelo cinema português, como Gartner e Goldberger.”

1925 - A 18 de Fevereiro, no “Teatro-Circo”, a “Madeira Film” apresenta um documentário filmico sobre a Madeira, dividido em 7 partes, mais uma, o Porto Santo.
Também apresentou o seu primeiro jornal cinematográfico, intitulado “Actualidades Madeirenses”.
Os filmes foram depois enviados para o estrangeiro.

- A 12 de Março de 1925, estreia no “Teatro-Circo” o filme português “Sereia de Pedra”, da autoria de Virgínia de Castro e Almeida, em cuja produção esteve envolvido o madeirense Alberto Jardim.

- A 19 de Abril de 1925 a “Madeira Film” filma o cortejo dos povos do Monte à Casa de Saúde do Trapiche, na altura em que o mesmo passava junto à Igreja de Santo António.

- Em Abril de 1925 é criada a empresa “Cine-Jardim Ltd.ª” para explorar os divertimentos que se iriam produzir durante os meses de estio no Jardim Municipal.
Esta empresa tinha como sócios Humberto Muller, António Luís Monteiro e Hans Gärtner.

- A 7 de Maio de 1925, a “Madeira Film” produz um documentário sobre a visita de cerca de 150 turistas húngaros que vieram à Madeira em peregrinação ao túmulo do imperador Carlos de Áustria.

- A 17 de Maio de 1925 é reaberto o “Cine-Jardim”, localizado no Jardim Municipal, desta vez sob a gerência da Empresa “Cine-Jardim Ltd.ª”.
Os filmes eram fornecidos pela sociedade cinematográfica Castello Lopes, de Lisboa.
Encerra a 29 de Novembro de 1925.

- A 21 de Maio de 1925, o “Cine-Jardim” passa o jornal cinematográfico da “Madeira Film”, “Actualidades Madeirenses nº 2”.

- A 25 de Maio de 1925, o Casino Pavão inaugura uma sala de cinema ao ar livre nos jardins do mesmo, que funcionaria todas as segundas e sextas-feiras dos meses de Verão.

- A 10 de Julho de 1925, no cinema ao ar livre do Casino Pavão, foi passado um documentário, que incluía uma ida a Santana de carro e outras vistas da cidade do Funchal, que segundo um periódico da altura fora produzido por uma nova companhia cinematográfica madeirense (possivelmente a ECA de Manuel Luíz Vieira).

- A 16 de Julho de 1925 foi inaugurado, no Monte, um animatógrafo ao ar livre, numa zona denominado Largo da Lagoa, que serviria de apoio às denominadas Festas de Verão que decorreriam no Monte por esta altura.

- A 13 de Setembro de 1925 é estreado, no Teatro-Circo, um filme publicitário aos automóveis Ford, produzido pela empresa de Manuel Luíz Vieira (1885-1952), denominado “Uma Viagem a São Vicente”.

- A 24 de Setembro de 1925 é inaugurado um cinematógrafo no Casino Belmonte, que se localizava na freguesia do Monte.

- Estreia, no dia 27 de Setembro de 1925, no cinematógrafo do Casino Belmonte a película “A Madeira Cinematográfica” da autoria da Empresa Cinegráfica Atlântida.

- A 8 de Dezembro de 1925, a Banda Distrital do Funchal inaugura, na sua sede, uma série de projecções cinematográficas destinadas aos sócios da colectividade.

– A ECA em 1925, regista as “Festas de S. Pedro”, na Vila da Ribeira Brava.

Manuel Luiz Vieira (1885–1952), começa a realizar “A Calúnia” entre finais de 1925 e inícios de 1926, sendo a película mais conhecida deste realizador.

1926   – A 10 de Fevereiro, no Teatro Circo, dá-se a ante-estreia da película “A Calúnia” e a estreia acontece a 24 do mesmo mês, tendo repetido sessões nos dias 26 de Fevereiro, 2, 4, 23, 26 e 28 de Março.
O filme “retracta a sociedade funchalense da época, nomeadamente na fina ironia com que trata a decadência dos fidalgos e de certa classe alta da capital madeirense, bem como desenha um suave retrato da esperança provocada pela emigração para a América, verificada em grande escala nos últimos anos do século XIX e primeiros do século XX
O filme “A Calúnia” foi produzido pela Empresa Cinegráfica Atlântida, com Realização, Argumento e Fotografia de Manuel Luís Vieira (1885–1952).
Faziam parte do elenco Nadine Menut, Arnaldo Coimbra (1899-?), Ermelinda Vieira, Maria Augusta Vieira de Abreu, Fernando de Figueiredo, João Sabino, Firmino Brazão, Vitorino de Abreu e Manuel Rodrigues.
Nesse mesmo dia de estreia foi também apresentado o documentário “O dia de São Pedro na Madeira”.

 – A 23 de Março estreia no Teatro Circo uma segunda versão da película “A Calúnia”, tudo leva a crer que a história foi melhorada e talvez seja esta a versão que se encontra disponível nos arquivos da Cinemateca Portuguesa.
Nessa sessão é também exibido o documentário desportivo “Desafios de foot-ball entre o Club Olhanense e vários clubes do Funchal”.

- A 28 de Março é passado pela última vez antes de partir para Lisboa o filme “A Calúnia", sendo esta sessão em homenagem aos actores do mesmo.
Neste dia são também passados os dois documentários que acompanharam as anteriores sessões de “A Calúnia”: “O dia de São Pedro na Madeira” e “Desafios de foot-ball entre o Club Olhanense e vários clubes do Funchal”.

 – Em Março, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), começa a realizar outro filme o “O Fauno das Montanhas”. As filmagens decorrem primeiro em estúdio, com algumas vistas da costa sul da ilha e depois no Rabaçal e nas 25 Fontes. Neste filme somente entram três actores: Arnaldo Coimbra (1899-?), Ermelinda Vieira e George Gordon, para além de figurantes.

- Aquando da Travessia aérea entre Lisboa e os Açores, com escala na Madeira, feita pelos aviadores Moreira de Campos e Neves Ferreira durante o mês de Abril e Maio de 1926, com estadia na Madeira entre 22 de Abril e 9 de Maio de 1926, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), juntamente com Gabriel Feleciano de Ornelas, fazem a reportagem cinematográfica da chegada, estadia e partida dos mesmos da Ilha da Madeira.
O filme da chegada dos aviadores foi exibido em Lisboa no cinema “Central” em fins de Abril e no Funchal num sessão dedicada aos tripulantes do hidroavião, que passou no Teatro-Circo no dia 6 de Maio.
A reportagem completa foi exibida na sessão cinematográfica que aconteceu a 30 de Maio no Patronato de São Pedro, incluída na “Semana da Criança” promovida pelo Colégio Lisbonense.

- A 25 de Abril de 1926 o Patronato de São Pedro começa a promover sessões de cinema de modo a obter fundos para a manutenção das suas actividades.

 – A segunda versão do filme “A Calúnia” estreia entre 7 a 11 de Maio de 1926, no Teatro Éden, em Lisboa, e no Verão desse ano no Funchal. Por esta altura Manuel Luiz Vieira (1885–1952), tenta realizar a sua terceira obra cinematográfica, a que lhe chamaria “Indigestão”. Esta película acabaria por ser realizada e exibida ao mesmo tempo que o “O Fauno das Montanhas” e seria estreado simultaneamente no Teatro Circo a 11 de Maio de 1927.
A película “Indigestão” originalmente tinha duas partes e era apresentado como uma fantasia cómica do actor João Sabino, um dos mais valiosos colaboradores de Manuel Luís Vieira (1885–1952).

- A 6 de Junho de 1926 o Cine-Jardim inicia novamente a sua temporada de cinema.

 – A 1 de Agosto é inaugurado no Estreito de Câmara de Lobos a sala de cinema - Cinema Terraço, que funcionou durante dois meses. Funcionou no prédio onde mais tarde foi o armazém de vinhos da casa Veiga França, situado no Largo do Patim.

[1926-1927] - Oscar G. Lomelino e Gabriel Feleciano de Ornelas fundam a Globe Film, que encerra as portas por volta do ano de 1934.

1927 - No dia 2 de Maio de 1927 é inaugurada no Caniço uma sala de cinema, situada no sítio da Igreja.
A abertura desta sala foi iniciativa de Manuel Duarte Júnior e Pedro Rego.

– A 11 de Maio de 1927, um ano depois de iniciar as filmagens, estreia no Teatro Circo a película “O Fauno das Montanhas”, do realizador Manuel Luiz Vieira (1885–1952).
“ (...) sátira fantástica, sobre as curiosas fantasias duma jovem que participa com o pai, naturalista britânico, em expedição para conhecimento das espécies ornitológicas da ilha. No seu ardente romantismo, motivada pelo deslumbramento da paisagem, julgar-se-á perseguida por um fauno, que tenta assassinar o sábio, acabando por se impor a tranquila realidade...”
Apesar de muitas criticas positivas, teve direito apenas a três exibições comerciais no Funchal, não se sabe porquê mas talvez devido ao tema do próprio filme susceptível para a época.
É estreado também o filme cómico “Indigestão”.

- Estas duas ultimas obras, “O Fauno das Montanhas” e a “Indigestão”, de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), não tiveram o êxito dos outros filmes do cineasta e assim Manuel Luís Vieira viu-se obrigado a terminar as suas experiências no campo da ficção, passando a se dedicar aos documentários e seria nesta área que alcançaria grande sucesso. 

- A 13 de Maio de 1927 temos a 2ª exibição das películas “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão” no Teatro-Circo.

- A 22 de Maio de 1927 é inaugurada a temporada de 1927 do Cine-Jardim, que continuava sob a gerência de Humberto Muller.
Encerra a 20 de Novembro de 1927.

- A 2 de Junho de 1927 os filmes “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão”, este com algumas alterações que o encurtariam para apenas uma parte, passam pela terceira e última vez nos ecrãs do Teatro-Circo.
Juntamente com estes dois filmes de ficção, é passado um documentário denominado “Atlântida Jornal” que continha os seguintes trechos: “Concurso Infantil no Jardim”; “O pessoal da Casa Americana no Santo da Serra”; “Chegada ao Funchal dos aviadores Neves Ferreira e Moreira de Campos”.

- A 12 de Junho de 1927 são, os filmes “O Fauno das Montanhas” e “Indigestão”, passados no Patronato de São Pedro.

- A 19 de Junho de 1927 os filmes “Fauno das Montanhas”, “Indigestão”, conjuntamente com alguns documentários passam na sede da Banda Distrital do Funchal.

- Em fins de Junho de 1927, houve uma excursão de diversos alunos do Liceu do Funchal a Canárias, tendo a mesma sido filmada pela “Globe Film”.

- A “Globe Film” estreia-se nas salas do Funchal, mais precisamente no Teatro-Circo, a 19 de Julho de 1927, exibindo os seguintes filmes: “A Excursão dos Estudantes madeirenses a Tenerife e Las Palmas”, “Destroços do ciclone na Madeira” “Visita de Lord Birkenhead á Madeira” (A acção dos Hotéis Reid), “Uma excursão, em auto-chenille ao interior da Ilha” e o que possivelmente será uma montagem de vários filmes internacionais “Concurso de Beleza com Estrelas de Cinema”.

- A 7 de Agosto de 1927 é inaugurado em Machico o “Cine Ideal”, cujo gerente era José Alberto Camacho.
Este cinema era ao ar livre e funcionou durante a época de Verão de 1927.

- A 1 de Agosto de 1927 a Câmara Municipal do Funchal recebe um requerimento da “Empresa do Cine-Jardim Ltd.”, pedindo a cedência do Teatro Municipal do Funchal para lá funcionar um cinematógrafo.
A Câmara acedeu, apesar de diversos abaixo-assinados contra a instalação do cinematógrafo no Teatro e do aparecimento de um segundo interessado, sendo que na sua sessão de 21 de Agosto são assentes as bases para a instalação, pela referida empresa, de um cinematógrafo, desde que respeitasse diversos pontos, como o de instalar uma “uma cabine com todas as condições de segurança […] fazendo a ligação eléctrica respectivamente, completamente independente da instalação eléctrica do teatro” e que patrocinasse “semanalmente pelo menos três espectáculos com fitas artísticas que não hajam sido exibidas noutras casas de espectáculo desta cidade”.
Esta cedência era a título provisório e iria decorrer de 1 de Outubro de 1927 a 30 de Abril de 1928.

- A 16 de Outubro de 1927 o Teatro Municipal “Dr. Manuel de Arriaga”, volta a ter cinema, com a estreia do filme “O Voo da Águia”. E como forma de cumprir as determinações da Câmara Municipal, a "Empresa Cine-Jardim Ltd." apresentou também um concerto com o violinista Luís Barbosa e a pianista Ema Coimbra Barbosa.

- A 23 de Outubro, a passagem pela Madeira dos aviadores Ruth Elder (1902–1977) e George Halderman, foi acompanhada por dois operadores cinematográficos que vieram do continente português, conjuntamente com diversos jornalistas estrangeiros, Aníbal Gomes Contreiras e José César de Sá.

 – A 26 de Outubro estreia em Paris, um filme realizado por Manuel Luiz Vieira (1885–1952), da actriz de Hollywood e aviadora norte americana, com título a “Chegada de Ruth Elder”. O avião em que viajava Ruth Elder (1902–1977) acompanhada do piloto George Halderman caiu nos mares dos Açores a 12 de Outubro de 1927. Manuel Luís Vieira (1885–1952) encontrava-se nos Açores, por essa altura, a acompanhar uma excursão promovida pela Banda Municipal do Funchal e filmou a chegada da aviadora e o seu resgate por um navio holandês que prestou socorro.
A “aviadora” Ruth Elder (1902-1977) passaria pela Madeira, a 23 de Outubro de 1927, em direcção à Europa.

- A 30 de Outubro de 1927, Manuel Luiz Vieira (1885–1952), filma a inauguração e bênção da Estátua ao Sagrado Coração de Jesus situada na Ponta do Garajau.

- A 30 de Novembro, estreou-se no Teatro-Circo o filme “Da Madeira aos Açores” da autoria de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), tendo repetido no dia 5 de Dezembro.
Este filme é o documentário sobre a excursão promovida pela Banda Municipal do Funchal aos Açores.
Este mesmo filme será depois enviado para os Açores onde será exibido no Coliseu Avenida em Ponta Delgada a 20 de Dezembro, tendo tido uma sessão reservada a jornalistas, no mesmo espaço, a 16 do mesmo mês.
Dos Açores, foi, a 18 de Janeiro de 1928, o filme enviado para os Estados Unidos da América.

- A 11 de Dezembro de 1927 é reaberto o “Salão Ideal” na Rua 31 de Janeiro, desta vez sobre a propriedade da "Empresa Cine-Jardim Ltd.".
Servia para a mesma empresa poder apresentar os filmes mais ”populares”, que não podia apresentar no Teatro Municipal.
Encerra em fins de Maio de 1928.

- A 22 de Dezembro de 1927, passa no Patronato de São Pedro o documentário “Patronato de S. Pedro” da autoria de Manuel Luiz Vieira (1885–1952).

1928 -Manuel Luiz Vieira (1885–1952) tenta filmar a chegada do ex-rei Fernando da Bulgária (1861-1948), aquando da sua vinda à Madeira a 7 de Janeiro.

- A 26 de Março de 1928 o filme “A Calúnia” de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), é novamente passada num cinema do Funchal, neste caso no Teatro Municipal do Funchal, por ocasião da sua chegada da América.
Foi visionada unicamente pelo proprietário, Manuel Luiz Vieira (1885–1952) e pelo director e alguns funcionários da Alfandega do Funchal, para a satisfação de exigências fiscais e comprovação de posse.

- Durante o mês de Abril de 1928 a ECA de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), filma um documentário sobre as diversas unidades fabris existentes na Madeira, como a Fábrica do Torreão, o Empresa Madeirense de Tabacos, entre outras.
Este documentário foi uma encomenda da Comissão organizadora da Exposição Agricolo-Pecuária que decorreu em meados de Maio de 1928 no parque do antigo Hotel do Carmo.
O filme documental passou, posteriormente, nos ecrãs do Cine-Jardim, a 10 de Junho de 1928.

- A 12 de Maio de 1928, Manuel Luiz Vieira (1885–1952) deixa a ilha da Madeira, primeiro para o Porto, onde foi trabalhar para a “Invicta Filmes”, mas rapidamente passa a director técnico da empresa cinematográfica Mello, Castello Branco, de Lisboa.

- A 7 de Junho de 1928 é encerrada a temporada de cinema no Teatro Municipal.

- A 10 de Junho de 1928 é reaberto o Cine-Jardim, novamente sobre a gerência da “Empresa Cine-Jardim, Ltd”.

- A 22 de Junho de 1928, Arnaldo Coimbra o mais importante colaborador de Manuel Luiz Vieira (1885–1952) na “Empresa Cinegráfica Atlântida” parte para Lisboa para assumir o cargo de director técnico e artístico de uma empresa cinematográfica da capital (possivelmente a Lisboa Filmes).

- A 21 de Setembro é fundada a Empresa de Cinema e Variedades Limitada, cujos sócios gerentes eram Tiago Matias de Aguiar, Abílio Rodrigues, Hans Gärtner e Jorge Alberto da Silva Freitas. Esta empresa foi criada para gerir a concessão do Teatro Municipal, na sua variante de sala de espectáculos de variedades e de cinema.

1929 – Realizou-se na Madeira o filme “A dança dos paroxismos”, tendo como realizador Jorge Brum do Canto (1910-1994) e como operador de imagem Manuel Luiz Vieira (1885–1952).

 – Oscar G. Lomelino realizou um filme sobre o “Reid’s Palace Hotel” e além deste filme, realizou alguns outros nomeadamente de desafios de futebol no velho Campo do Almirante Reis.

1929/30Manuel Luiz Vieira (1885–1952) é operador dos filmes do realizador Jorge Brum do Canto (1910-1994) e da película “Maria do Mar” de José Leitão Barros (1896-1967).

[1930]João Jardim (1907–1985) passa a explorar o Cine Jardim, à Rua do Carmo. Esta “sala de cinema” encerra em 1997.
           
1930Oscar G. Lomelino realiza a película “Olho do Diabo”, um documentário sobre as paisagens da floresta madeirense.

Vitorino de Abreu (cunhado de Manuel Luiz Vieira) realizou uma curta-metragem intitulada “Palinhos Herói” uma comédia interpretada por João Sabino e que não existem registos deste filme.

1931 –  A 4 de Março, estreia no Teatro Municipal “O louco cantor”, o primeiro filme sonoro exibido no Funchal. Este filme causou sensação uma vez que sincronizava o som áudio com a imagem.
Neste mesmo ano estreia o filme russo “Troica” que fez mais sucesso que o anterior, com belos bailados e emocionantes coros, foi contagiante para os espectadores.

- Em Agosto de 1931 é inaugurada uma sala de cinema ao ar livre, denominada Cine-Cruzes, localizada nos jardins da Quinta das Cruzes.

– A 27 de Setembro é inaugurado fora do Funchal o Salão Teatro Gil Vicente. A iniciativa partiu de Carlos Maria de França e António de França. Esta sala de espectáculos funcionou regularmente até à década de [19]70.

- Criação da Empresa Cinema Sonoro da Madeira, que iria gerir o cinema sonoro no Teatro Municipal, antes de Novembro de 1931.

1932 – a 22 de Maio de 1932 é inaugurada uma sala de cinema, o Salão-Cinema Paraíso na Vila da Ponta do Sol. Iniciativa dos empresários José Delgado, Juvenal Correia e João Varela. Desconhecem-se mais pormenores sobre esta sala.

– É exibida no Teatro Municipal, em finais de 1932, um documentário feito em 1931 sobre a “Revolta da Madeira”, produção de Empresa Nacional de Publicidade e fotografado pelo operador Francisco Abreu.

1933 – A Globe Film, de Oscar G. Lomelino, produziu um documentário sobre as “As festas de São Pedro da Ribeira Brava” que alcançou um certo êxito no Continente, embora fosse criticada pelas “tintagens” efectuadas na película.

1934 – As salas de cinema na Madeira optaram pelo cinema sonoro especialmente porque rareavam as produções mudas.

– a 15 de Julho de 1934 foi aberto ao público uma nova sala de cinema na Vila da Ponta do Sol denominada Cine-Sol. Sala de cinema com capacidade para 300 pessoas. Edifício construído de raiz para cinema da iniciativa de Marques Teixeira.

1935 – a 15 de Novembro de 1935 abre o Pavilhão Marinho,  situado no salão do Hotel Savoy  e encerrando nesse mesmo ano, em Dezembro.

– a 22 de Dezembro de 1935 abre ao público o Cinema Eden, um velho barracão metamorfoseado em sala de espectáculos ao Largo do Pelourinho e encerrado a 16 Junho 1936.
 
1936   – A 1 de Agosto de 1936, o filme “A canção da terra” começa a ser realizado por Jorge Brum do Canto (1910-1994) e pelo operador Aquilino Mendes (1908-1993). “A canção da terra” é rodada na Ilha do Porto Santo, é uma longa-metragem de grande pendor naturalista. Com este filme o realizador Brum do Canto (1910-1994) “ (...) conquistou a crítica com a sua exemplar montagem e com a força telúrica das suas imagens e conquistou um lugar especial na história do cinema português pela modernidade e pelo rigor da realização.”.

1937 – É filmada a película “A cultura da banana na ilha da Madeira” para os Serviços Cinematográficos do Ministério da Agricultura, pelo operador Salazar Dinis (1900-1955), cuja família era madeirense. Foi considerado um dos melhores operadores do cinema português.

– a 15 de Julho era inaugurado o Cine Parque, localizado na Rua Ivens e Rua dos Aranhas. Propriedade de João Firmino Caldeira (1897-1975).  Inicialmente esta “sala de cinema” era ao ar livre e só funcionava de Verão.

1938 – foi aberta a 5 de Julho de 1938 uma “sala de projecção de cinema ao ar livre” localizada na “Praia Oriental”, entre o cais da Entrada da Cidade e o Forte de São Tiago. Praia pública e muito frequentada por banhistas madeirenses, esta sala improvisada de cinema só funcionava na época de Verão.
Esta “sala” foi, também, explorada por João Firmino Caldeira (1897-1975).

– A 29 de Março, estreia nacional no Condes, em Lisboa, da película “A canção da terra” e teve grandes enchentes, no Funchal estreia a 9 de Dezembro desse ano. Foi considerada como a obra máxima do cinema português pois foi um filme ímpar na história do nosso cinema, pelo seu drama e intensidade e rigor na realização.

 – Por ocasião da visita do Presidente da República, General António Oscar de Fragoso Carmona (1869-1951) à Madeira, a 13 de Julho de 1938, o fotógrafo Joaquim Gomes Figueira (1912-1995) que produziu e realizou algumas curtas-metragens na década de 30, registou esta visita. O documentário obteve um assinalado êxito no Funchal.

1940 – A 3 de Julho é inaugurado por João Firmino Caldeira (1897–1975), a sala de cinema Cine Parque. Embora este espaço já em tempos tivesse sido utilizado para cinema na década de 30, só nesta data teve remodelações de modo a privilegiar este tipo de espectáculos. 

[1940] – »Foi (...) na década de 40 que surgiu o primeiro cine-clube na Madeira. (...). Chamou-se “Hollywood Club Stars” e foi dinamizado por Fernando Nascimento e José Hermenegildo Campos. O clube deu origem a um fanzine, o “Eco Mágico”. (…).«
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.83

1943 – O actor Virgílio Teixeira (1917) participou na película “Ave de Arribação”, do realizador Armando de Miranda (1904-1975). Nesta película o actor alcançou algum prestígio com a sua personagem.

1945Virgílio Teixeira (1917) alcançou crédito suficiente para ser chamado para o papel principal da película “A Volta do José do Telhado”, que lhe granjeou grande prestígio popular.
Filme realizado por Armando de Miranda (1904-1975).
Nesta película também participou como actor outro madeirense Teodoro Silva (1900-1976).

a 24 de Maio foi criada em Câmara de Lobos, »(...) uma associação social de natureza recreativa e de cultura artística pela música e pelo cinema e que ostentava a denominação de Salão Ideal. Possuía sede ao sítio do Espírito Santo e Calçada (...).
Foram sócios fundadores António Fernandes Dantas, José Fernandes Dantas, José Ferreira, António de Abreu, Francisco Assis de Barros, António Rufino Coelho e João Augusto de Barros.
A responsabilidade pela presidência da Direcção caberia a António Fernandes Dantas (1897–1973).
No início dos anos [19]70 António Fernandes Dantas terá cedido a exploração do Salão Ideal à Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934).
O Salão Ideal encerra em [1980] «.
               in FREITAS, Manuel Pedro, Caminhos e lugares do concelho de Câmara de Lobos (80).O Salão Ideal, 1ª parte. Jornal da Madeira, 27 Junho 1999

1946 – inicia-se a publicação de “O Eco Mágico”, que teve cerca de um ano e meio de existência.

1947 – A 15 de Julho é constituída a Empresa Cinematográfica da Madeira Limitada, cujos sócios gerentes eram Arthur Silva e Eduardo de Martel Correia. Esta empresa foi constituída para gerir a concessão dada pela Câmara Municipal do Funchal do Teatro Municipal na vertente do cinema sonoro.

1947/48 Teodoro Silva (1900-1976) realiza a película “O Segredo”, uma longa-metragem de ficção, muda, a preto e branco, que conta com a presença de alguns actores amadores madeirenses tais como, o próprio Teodoro Silva, Victor Rosa, Jorge Nunes, Manuel Câmara e Alexandre Pinto.
Foi produzida por uma empresa madeirense, a Voz de Portugal.

1948 Manuel de Olim Perestrello, Júnior (1893-1980) fez um documentário intitulado “A visita de Nossa Senhora de Fátima à Madeira” em 9,5 mm. Foi produzido pela Voz de Portugal e exibido com grande sucesso no Teatro Municipal e em várias localidades fora do Funchal.

– Na última semana de Dezembro estreia no Teatro Municipal, a película “O Segredo” e volta a ser exibida em Fevereiro do outro ano.

- João Firmino Caldeira (1897–1975) trespassa o “Cine Parque” para a Empresa Cinematográfica da Madeira, contudo volta a adquirir a casa em 1952.
Esta “sala de espectáculos” encerra em [1988].

1950 – A 21 de Janeiro faleceu João dos Reis Gomes (1869-1950), o pioneiro encenador teatral que usou o cinema nas suas peças.

 - A 22 de Janeiro faleceu o capitão José Bettencourt Câmara, o empresário que marcou a distribuição cinematográfica nos anos 30 e 40 na Madeira. Durante anos geriu a Empreza do Cinema Sonoro da Madeira.

 – A 26 de Maio é exibido, no Teatro Municipal a película “A pérola do Atlântico”, documentário de 46 minutos, realizado por Fernando Sousa Neves. A película contou com leque de colaboradores famosos na narração dos textos como Artur Agostinho, João Villaret (1913-1961), Armando Ferreira e Isabel Maria que granjeou um êxito pouco comum para documentários.

1951 – Estreia, a 29 de Maio, no Teatro Municipal o filme “Na Ilha da Madeira” realizado por Francisco Ezequiel Evaristo.

1952 – Faleceu, a 24 de Agosto, em Lisboa, Manuel Luís Vieira (1885-1952). Por altura de seu falecimento, este cineasta e operador de câmara madeirense, iria ter seu nome ligado a mais de 150 filmes, 100 dos quais como realizador, na sua maioria eram documentários e curtas-metragens realizadas por todo o Portugal, desde as colónias a Portugal insular e continental.  

1953 – No Teatro Municipal é exibido a película “O Milagre de Fátima”, teve pouca afluência do público madeirense.

1955 – Faleceu, Salazar Dinis (1900-1955), filho de madeirenses e um dos operadores mais importantes do cinema nacional nas décadas de 30 e 40.

na Vila da Ribeira Brava, funcionou o Cine Esplanada da Ribeira Brava, localizado no Largo dos Herédias.
Propriedade de João Severiano de Freitas, Manuel dos Reis Macedo, Agostinho José Andrade, Agostinho Abreu Macedo e Hamilton Leonildo Silva.
Esta sala de cinema foi, também, explorada pela empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934).

- A 23 de Fevereiro 1955 é inaugurada a nova máquina de projectar, Cinemascope, no Cine-Parque com a presença do Governador Civil, Comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969).
      
– Em Julho, o Cine Jardim exibiu o documentário filmado por António Lopes Ribeiro (1908-1995) sobre a viagem do Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes (1894-1964), à Madeira que ocorreu de 30 Maio a 2 Junho 1955.

[1955] – é fundado o “Cine Clube do Funchal”, sendo liderado por António Aragão Mendes Correia. A actividade do “Cine Clube” iria estender-se até os inícios da década seguinte.

1956 – Em Maio, João Firmino Caldeira (1897–1975), empresário que explorava o Cine Parque, paga para filmarem o jogo de futebol entre o Porto/Marítimo no Continente e promete exibi-lo 24 horas após o desafio. Não correu como o prometido pois o hidroavião que transportava o filme, devido ao mau tempo, só pôde amarar três dias depois, na baía do Funchal.

1957  – A 4 de Setembro estreia no Funchal, no Teatro Municipal Baltazar Dias, uns filmes sobre a vida marinha do arquipélago, que fazem grande sensação, até porque é a primeira vez que incluem imagens das Ilhas Desertas, submarinas e terrestres.
Neste mesmo ano, José Perdigão Queiroga (1916-1980), realiza dois documentários sobre os bordados e indústria de lacticínios da Madeira.

1958 – Realizou-se neste ano, uma reportagem fílmica intitulada “Primeiro Cruzeiro de Pescarias às Ilhas Adjacentes”, o realizador e director de fotografia foi Aurélio Rodrigues.

1960 – Foi filmado o documentário intitulado “Arte Sacra” com 11 minutos, e mostrava ao grande público as peças de arte flamenga que existiam nas Igrejas da Região. Este filme foi realizado por António Lopes Ribeiro (1908-1995).

1961António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935) fundou a Produção Cunha Telles e lança o seu primeiro filme, “Vacances portugais”, filmado pela equipa de Pierre Kast (1920–1984), na Ilha Dourada (Porto Santo).
           
- “A Ribeira da Saudade” película produzida por Felipe de Solms e realizada por João Mendes (1919). A película foi filmada na Madeira e na altura foram seleccionados “actores” madeirenses para figurantes: Carlos Veloza, Leandro Jardim, Rosário de Freitas e Pedro Amaral.

1962Herlander Peyroteo (1929-2002) realiza a película “Max canta três canções”, com a presença do cantor madeirense Max - Maximiliano de Sousa (1918-1980).
As filmagens decorrem na Madeira com a presença de madeirenses: Edgar Gonçalves Preto, na assistência de realização, Vicente Jorge Silva (1945) como figurante e António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935) na produção.

1965 – A 15 de Março estreou, “As ilhas encantadas”, no Cinema Tivoli, em Lisboa e em Novembro, no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.
Foi produzida por António Alexandre Cohen da Cunha Telles (1935), e realizado por Carlos Vilarbedó. Foi a super produção mais cara filmada na Ilha da Madeira.
Um desastre de bilheteira e nem a presença de Amália Rodrigues (1920-1999), a diva do fado português, conseguiu captar o entusiasmo do público. O filme é mal aceite e esta actriz não voltará a aceitar um papel principal no cinema, apesar da insistência de amigos.
Participaram como figurantes os madeirenses Martim Bettencourt da Câmara e Manuel de Olim Perestrello, Júnior (1893-1980), que efectuou a reportagem fotográfica das filmagens – “As ilhas encantadas”

- João Aquino Morna Jardim (1934) funda a empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada.
Este empresário, na década de 70 e 80 do século XX, iria explorar uma série de cinemas localizados nas zonas rurais, nomeadamente: Caniço – Salão Paroquial, Santa Cruz – Restaurante Cinema Imperial, Machico – Cinema Zarco, Paul do Mar – filmes projectados no edifício existente em frente ao campo de futebol, Ponta Delgada (na piscina), São Vicente – no Salão Teatro Gil Vicente, Calheta (no sítio da Estrela).

1966  – A 25 de Novembro foi inaugurado o Cinema João Jardim, embora as sessões de cinema se tenham iniciado a 5 desse mês. O acto foi presidido pelo Governador Civil, Comandante João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969) e outras autoridades.
Propriedade de João Jardim (1907–1985).
Este cinema tinha a capacidade para 1.233 pessoas, 566 na plateia, 238 para tribuna e 429 para o balcão.
Na época foi considerada uma das melhores salas de cinema de Portugal.
O Cinema João Jardim encerra em [1986].
           
- a 30 de Novembro, é fundado o Cine Forum. Situado na Rua Ivens, este Clube de Cinema propõe-se “ (...) a projecção mensal de filmes, a comentar e a discutir “em forum”, a divulgação do cinema através de cursos de iniciação e preparação de crítica para os jornais, a criação de folhas de cultura cinematográfica na Imprensa local, a organização de colóquios, de conferências, de uma biblioteca especializada, a canalização do interesse do público para todos os filmes válidos a exibir, a criação de grupos de cinema experimental. (...) ”.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.103

1967 – a 28 Maio de 1967 é inaugurada uma nova sala de cinema Mar e Sol,  localizada no sítio do Livramento, na Vila da Ponta do Sol.
Propriedade de João Pita.

1968 – o realizador José Fonseca e Costa (1933) filma na Madeira, um documentário intitulado “The Pearl Atlantic”, baseado na obra da escritora Maria Lamas (1893-1983). Filme publicitário para a companhia aérea portuguesa – TAP.

1969 – neste ano, José Fonseca e Costa (1933) realiza, na Madeira, segundo filme publicitário para a companhia aérea portuguesa – TAP, intitulado “The Columbus Route”.

1970 – Na década de 70, a Madeira “em termos qualitativos e quantitativos os documentários que se fizeram são dos mais fracos de sempre (...) e não se realizaram produção cinematográfica (...)” 
Foram realizados 20 filmes todos documentais e quase sem estreia em salas de cinema locais, uma vez que foram feitos quase exclusivamente na transcrição vídeo para televisão.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.107

1972 - João Firmino Caldeira (1897–1975) vende à empresa Intercine da Madeira – Sociedade Exploradora de Cinemas, Limitada, propriedade de João Aquino Morna Jardim (1934) o Cine Parque, o Cinema do Porto Santo e posteriormente a aquisição dos direitos de concessão do Teatro Municipal. Concessão, essa, que termina em 1978.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.108

1973“Madeira e a sua flora”, realizado por Alice Gabriela Gamito, é um documentário que mostra a beleza natural da Ilha da Madeira, que proporciona imagens belas sobre esta. Embora as imagens sejam belas, com a montagem de texto e locução levaram que o filme ficasse muito aquém das expectativas.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.106

1974/76 – Realiza-se outro documentário sobre a Arquipélago da Madeira “As Ilhas da Salvação” de Hélder Mendes (1931), que também foi director de fotografia deste filme.
Levou dois anos a ser realizado por causa das “convulsões” políticas uma vez que se inicia as filmagens em pleno 25 de Abril de 1974.
Foi rodado nas Ilhas Desertas e Selvagens, era dedicado ao estudo de aves nidificadas naquelas ilhas e também “(...) a princípio não previsto pelo realizador e produtor do projecto: contem ainda, estupendas imagens sobre a pesca do atum e a faina dos pescadores madeirenses (...) a campanha da pesca de atum”, pesca característica do arquipélago.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira, 1997, pag.106

1977 – Realizou-se a película Colonia e vilõesassinado por Leonel Brito (1941), teve como director de fotografia Elso Roque (1939).
Foi das únicas películas que foca directamente o problema da colonia. O filme denuncia o “contrato de colonia” regime de exploração da terra, em que o proprietário da terra, denominado de “Senhorio”, “arrendava” a terra ao trabalhador agrícola – “colono” – por determinados anos e com a obrigatoriedade do “colono” dividir com o “Senhorio” os produtos cultivados.
Esta película tem a particularidade de incluir música tradicional da Madeira, gravada ao vivo no Norte da Ilha.

- Do realizador madeirense José Luiz Cabrita, é produzido em 1977 o documentário “Madeira, Nossa Ilha”.
Contou com a participação na direcção de fotografia, de dois excelentes fotógrafos madeirenses e com experiência no cinema, João Pestana e Rui Marote.

1978 – A 1 de Julho de 1978 é inaugurado o Cine-Casino.

1980 – Ao longo da década de 80 surgem várias salas de cinema como por exemplo, Cine Deck, no edifício “Navio Azul”, à Estrada Monumental. O Cine Santa Maria, localizado na zona velha da cidade, é totalmente renovado nesta época. Estas salas, juntamente com o Cinema João Jardim e o Cine Casino, eram exploradas pela Empresa Lusomundo.

1981 – O Cine Forum, organiza a Assembleia Mundial de Realizadores.
O evento trouxe à Madeira nomes como Joris Ivens (1898-1989), François Trufaut, Orson Wells (1915-1985), entre outros, que redigiram a famosa Carta da Madeira, um documento histórico para os realizadores de cinema.

1982Raoul Ruiz (1941), realiza o filme “Les trois couronnes du Matelot”, rodado parcialmente na Madeira. Esta obra contou com a produção de Paulo Branco (1950) e a participação de actores portugueses como Adelaide João (1927) e José de Carvalho. O filme foi lançado comercialmente em França no ano de 1983.

1983 – Há que destacar duas películas que se fizeram na Madeira, no ano de 1983, nomeadamente:

- “Madeira, Ilha de mil cores” de António Sousa (1912), o realizador retracta o ponto de vista do turista que chega à Ilha da Madeira, num cruzeiro, neste caso no paquete “Camberra”.
Deste realizador temos, ainda, a destacar sobre o Arquipélago da Madeira outros documentários: “A Ilha Dourada de Porto Santo” (1978), “Aguarelas Madeirenses” (1978), “Madeira, a Terra e o Homem” (1978), “Benvindos à Madeira” (1981), “Madeira – Floricultura” (1981), “Bom Dia, Funchal” (1982).

- António H. Escudeiro realiza, a película “Travessia – Viagem à memória do tempo”, que foi parcialmente rodada na Madeira. É um filme que caracteriza o povo português “obra de rara beleza melancólica (com todas as virtudes e defeitos que um saudosista possa ter) e por onde passam textos de António Gedeão, Fernando Pessoa, Drummond de Andrade, Sophia de Mello Breyner  ou Jorge de Sena”
O documentário passou na RTP - Madeira em finais de 1983, sem nunca ter sido exibido nas salas de cinema na Madeira.
            in MARQUES, João Maurício, Os faunos do cinema madeirense, Funchal, edição Editorial Correio da Madeira,1997, pag.114

- Entre 21 de Fevereiro e final de Abril é rodada uma película intitulada “Les tricheurs” (Os Batoteiros), realizado por Barbet Schroeder (1941), um dos directores de cinema, mais conhecido que trabalhou na Madeira. Este filme contou com a presença de Virgílio Teixeira (1917) como principal actor.

1985 - Raoul Ruiz (1941), realizador chileno, roda na Ilha da Madeira a película “Manuel na Ilha das Maravilhas” - “Les Destins de Manoel”, “(...) filme onde feérico se cruza com a saudade e a ternura infantil que nunca se havia feito no cinema nacional (...). A ideia original do filme foi de João Botelho, a assistência de realização de José Maria da Silva (do Cine Forum), operador Mário Castanheira (Acácio de Almeida) e produzido por Paulo Branco. É de realçar a participação de alguns actores madeirenses, tais como o miúdo Ruben de Freitas e Marco Paulo de Freitas que interpretam a personagem Manuel durante a infância e a sua adolescência”.

1987 – Estreia em Paris no mês de Dezembro a película “Ennemis intimes”, do realizador Dinis Amar (1946), filmada entre Março e Setembro 1987, rodada nos montes do Caniçal, onde foram edificados os cenários para filme. Teve como figurantes alguns madeirenses.

1988 – Encerramento do Cine Parque, com 60 anos ao serviço do público madeirense. Uma das salas de cinema mais populares do Funchal.

1989 – Entre os meses de Outubro e Novembro é filmada em Machico, Santana e Funchal, uma película intitulada “Eternidade”. Produzida e realizada por Quirino Simões.
Este filme tem como base o romance do escritor Ferreira de Castro (1898-1974) com o mesmo nome, realça a luta dos trabalhadores contra o regime ditatorial de Salazar nos anos 30, que levou a deportação de centenas de trabalhadores para a Ilha do Sal em Cabo Verde.
O actor Virgílio Teixeira (1917) participa neste filme.
Estreou no cinema Quarteto, em Lisboa, a 25 de Agosto de 1995.

[1990] – Na década de 90 abre o Cine D. João, localizado nas Galerias D. João, à Rua do Til.

1992 – Em Fevereiro a Câmara Municipal do Funchal, organizou (com o apoio do Cine Forum, da Cinemateca Portuguesa e o Projecto Lumiére) uma reposição de alguns filmes de Manuel Luiz Vieira (1885–1952), uns dos primeiros realizadores madeirenses.
Nessas sessões foram exibidas – em sessão dupla – “O Fauno das montanhas” e “A Calúnia”, as suas obras mais conhecidas e queridas do público em geral.
Foi a oportunidade de alguns interessados em cinema visionar estas duas obras do cinema madeirense.

1994 – Estreia em Junho, na sala do Cine Casino, a película “Até amanhã Mário”, realizada por Solveig Nordlund (1943), este filme teve um relativo sucesso comercial.

1995 – A 16 de Janeiro abre a sala de cinema Cine Max, no centro comercial “Marina Shopping”, à Avenida Arriaga, Funchal.

1997 – o madeirense Vicente Jorge Lopes Gomes da Silva (1945) realiza o filme intitulado “Porto Santo” cuja rodagem decorre na Ilha do Porto Santo.

2001 – Abertura de sete salas de cinema controladas pela Castello Lopes no Centro Comercial Madeira Shopping, situado em Santa Quitéria em Santo António.

- Inauguração de duas salas de cinema no Camacha Shopping, controladas pela Lusomundo

2005 – Abertura de seis salas de cinema controladas pela Lusomundo no Centro Comercial Fórum Madeira, situado na Estrada Monumental no sitio da Ajuda.